Todos

O que significa realmente o vício, na visão da psiquiatria?

O que significa realmente o vício, na visão da psiquiatria?

O vício, na visão da psiquiatria, se caracteriza pelo uso compulsivo de alguma substância. Ele também é conhecido como transtorno de uso severo de substância. Assim, tem como consequência a dependência.

Pessoas com esse problema, mesmo tendo consciência do dano que pode lhes trazer, não conseguem abandonar o hábito nocivo. Geralmente, ele é altamente incapacitante. Causa prejuízos na convivência social e prejudica a produtividade, bem como a qualidade de vida do indivíduo.

No entanto, hoje em dia, há uma série de tratamentos que podem recuperar aqueles que são tomados pelo transtorno. Para obter ajuda, entretanto, é preciso que a pessoa, primeiramente, assuma que é um adicto, ou dependente. É também necessário ter uma estrutura familiar e de amigos que a apoie no caminho de volta à vida normal.

Encarando o vício

A dependência química é uma condição complexa, que desafia a própria psiquiatria. A possibilidade de uma pessoa desenvolver o vício varia de organismo para organismo. Ele pode estar relacionado a um transtorno mental pré-existente, como a ansiedade e a depressão.

Em geral, quem abusa do consumo de substâncias químicas está buscando alívio para algum sofrimento, seja para o corpo ou para a mente. No entanto, há também quem passe a usar determinada droga para melhorar o desempenho em alguma atividade. Há, ainda, aqueles que começam o uso por influência dos seus pares.

A maior complicação é que, com o tempo, o corpo cria resistência a essas substâncias. Gera, então, a necessidade de uma quantidade cada vez maior. Dessa maneira, o exagero acaba por causar sérios danos ao funcionamento cerebral.

Ocasiona-se, então, alteração no comportamento, no pensamento e nas funções corporais. A noção da realidade passa a ficar desordenada e o convívio no trabalho e em família torna-se mais difícil. Além disso, o aprendizado e a tomada de decisões ficam prejudicados.

Os sintomas do vício em substâncias tóxicas podem ser classificados a partir de quatro categorias. Em seguida, saiba quais são elas.

  • Controle prejudicado: desejo incontrolável de consumir a droga; falha na tentativa de controlar, diminuir ou parar o uso.

  • Problemas sociais: incapacidade de completar tarefas no trabalho, na escola ou em casa; queda de convívio social.

  • Uso arriscado: convivência em ambientes de risco ou ambientes em que a droga pode ser facilmente encontrada.

  • Efeitos de consumo: tolerância (necessidade de maiores quantidades para obter o mesmo efeito) e abstinência.

Um prazer perigoso

Entre as principais substâncias responsáveis pelo vício, estão:

  • álcool;
  • tabaco;
  • maconha;
  • LSD e outros alucinógenos;
  • inalantes, como cola de sapateiro;
  • analgésicos opiáceos, como heroína, codeína e oxicodona;
  • sedativos, hipnóticos e ansiolíticos;
  • estimulantes, como cocaína e metanfetamina.

Durante a fase de intoxicação, os adictos relatam que a sensação é de prazer, calma, ampliação dos sentido, bem como alívio de estresse. Essas sensações variam de substância para substância. Assim como a abstinência de cada uma delas, que, dependendo da droga, pode ser altamente severa.

A consequência desses momentos de prazer observados em quem tem algum tipo de vício pode ser o desencadeamento de malefícios irreversíveis para o organismo e, até mesmo, a morte precoce.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Transtorno Dismórfico Corporal: sintomas, causas e tratamentos

Transtorno Dismórfico Corporal: sintomas, causas e tratamentos

O Transtorno dismórfico corporal (TDC) é um problema psiquiátrico, ocorrido quando uma pessoa tem preocupação excessiva com algum detalhe de sua aparência física. No entanto, nem sempre a parte do corpo que incomoda apresenta algum defeito visível.

Sendo assim, esse é um transtorno caracterizado principalmente pela distorção da autoimagem. Ou seja, a pessoa não consegue se enxergar de fato como ela é. Além disso, tem grande dificuldade de se aceitar. Por isso, quem tem TDC está sempre buscando mudar algo que a incomoda em sua aparência física. Seja por meio de dieta e exercícios, seja por meio de cirurgia plástica.

Como identificar o TDC?

O cuidado com a aparência física é normal, mas tem um limite para ser considerado saudável. Quando esse cuidado se transforma em uma preocupação excessiva, passa se configurar como um transtorno da mente.

Quem apresenta o transtorno dismórfico corporal tem rejeição acentuada por determinada parte do corpo. É comum ouvir portadores de TDC dizendo: “Ah, eu odeio meu nariz”. Ou: “Olha como a minha barriga é horrorosa!”

Além disso, esses indivíduos passam boa parte do dia preocupados com esse detalhe da aparência. Sempre pensam que as outras pessoas também estão percebendo o dito defeito.

Para o portador do TDC, o detalhe malvisto é considerado anormal. Acompanhando esse julgamento, surgem comportamentos específicos. Assim, em alguns casos, olham-se constantemente no espelho para verificar a suposta anormalidade. Em outros, evitam se olhar no espelho para não ver o aspecto que os incomodam.

Quando a pessoa tem algum recurso financeiro, frequentemente procura procedimentos estéticos. É comum se submeterem a eles, bem como a procedimentos dentários e cirúrgicos com o objetivo de corrigir o defeito que, por vezes, só existe na própria perspectiva.

Uma vez que são pessoas com dificuldade de aceitar sua própria imagem, é comum que evitem eventos sociais. Muitos se isolam com medo de sofrer rejeição.

Buscando tratamento

Como o portador de TDC demora a perceber que tem problemas em relação à sua autoimagem, muitas vezes um diagnóstico só ocorre em anos. Em alguns casos, a pessoa com o transtorno só percebe que não estava se enxergando adequadamente quando um amigo ou parente chama a atenção para o problema.

O transtorno dismórfico corporal traz muito sofrimento para o portador. Por isso, o tratamento é fundamental para garantir mais qualidade de vida.

Entre os métodos de tratamento utilizados, estão o emprego de medicamentos antidepressivos e a terapia cognitivo-comportamental. Esses dois procedimentos terapêuticos são realizados porque a rejeição física pode ser decorrente tanto de problemas no sistema nervoso central quanto de influências culturais.

Viver em uma família, grupo ou sociedade em que há supervalorização de padrões estéticos, da beleza idealizada pode ser gatilho para o transtorno dismórfico corporal. Criação sob uma educação muito rígida, com pais superprotetores, também pode desencadear o TDC.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Os dois principais tipos de TOC e como reconhecê-los

Os dois principais tipos de TOC e como reconhecê-los

Quando alguém tem comportamento repetitivo, muitas pessoas costumam associar o padrão a um problema psiquiátrico. Referem-se do conhecido TOC, sigla utilizada para o transtorno obsessivo-compulsivo.

No entanto, para ser, de fato, considerada um sintoma de TOC, a conduta precisa ser acompanhada de preocupação excessiva. Desmedida a ponto de desencadear desconforto mental e falta de controle no impulso de executar determinada tarefa.

Assim, essa disfunção é caracterizada pela recorrência de pensamentos e comportamentos compulsivos e repetitivos. Ocorre, então, uma carga considerável de sofrimento para o indivíduo acometido.

Sendo assim, essa condição de saúde mental é reconhecida como um transtorno psiquiátrico de ansiedade. Consta na Classificação Internacional de Doenças (CID) e no Manual Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-V).

Esses documentos não estabelecem subtipos para o transtorno obsessivo-compulsivo. Entretanto, psiquiatras e psicólogos concordam que o problema se apresenta de forma distinta de pessoa para pessoa.

Este artigo, trata dos dois principais tipos de TOC e como podem ser reconhecidos.

TOC caracterizado pelos comportamentos ritualísticos

O transtorno de espectro obsessivo-compulsivo pode ser caracterizado pelos chamados rituais. Diante disso, a pessoa acredita que alguma coisa ruim vai acontecer se não executar determinada atividade.

O pensamento e o comportamento são guiados pelo medo. Em geral, indivíduos que apresentam esse tipo de TOC estão sempre verificando se não deixaram um eletrodoméstico ligado, por medo de causar um acidente. Ou, simplesmente, lavam repetidamente as mãos, porque receiam contrair alguma doença.

Nesse tipo de manifestação do transtorno, pode haver também a ocorrência de pensamentos intrusos que se referem a fazer mal a alguém ou quebrar regras sociais. Qualquer pessoa pode ter tais pensamentos de vez em quando. No entanto, quem tem TOC fica tomado pelo medo de que tais ideias se tornem realidade.

Para reconhecer o TOC com comportamentos ritualísticos, deve-se ficar atento a:

  • constante necessidade de verificar as coisas;
  • necessidade de organizar e alinhar objetos de forma repetitiva;
  • necessidade de limpar constantemente objetos e superfícies que, por vezes, já estão limpas;
  • necessidade de sempre contar itens e etapas.

TOC caracterizado pelos tiques involuntários

Pesquisadores norte-americanos descobriram, na década passada, que há uma estreita relação do TOC com a síndrome de Tourette. Eles observaram que um número considerável de pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo apresentam tiques involuntários.

Para melhor compreensão do quadro, é preciso explicar algo sobre o indivíduo acometido da síndrome de Tourette. Ele experimenta tiques motores e vocais crônicos que ainda são pouco explicados pela medicina. Por isso, especialistas da área da psiquiatria acreditam que o problema tenha relação com disfunções neurológicas.

Sendo assim, a pessoa acometida de TOC com tiques sempre repetirá um comportamento involuntário. Pode ser um movimento corporal, como piscar os olhos ou sacudir a cabeça. Geralmente, é companhado de uma manifestação vocal.

No caso de ambos os tipos de TOC, é preciso estar ciente de que o melhor caminho é o acolhimento e a compreensão em relação ao problema da pessoa.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
O que acontece na sua mente quando você abandona ou reduz o uso de mídias sociais?

O que acontece na sua mente quando você abandona ou reduz o uso de mídias sociais?

Atualmente, passar um bom tempo nas redes sociais faz parte do dia a dia de muitas pessoas. No entanto, estudos recentes revelaram que reduzir essa prática ou passar um tempo fora das mídias sociais pode melhorar muito a qualidade de vida.

Desde o avanço do uso do Facebook, na última década, os pesquisadores atentam para um fato. As mídias sociais podem reduzir a sensação de bem estar. Entre outros problemas, foi verificado, por exemplo, que as pessoas consideradas “heavy users” têm propensão a desenvolver problemas de sono. Há, também, risco de aumento da sensação de solidão e depressão.

Um mês sem Facebook

Com o intuito de verificar o impacto do Facebook na vida das pessoas, pesquisadores da Universidade de Nova York e de Standford, nos Estados Unidos, recrutaram mais de 3 mil usuários dessa rede social. O estudo propôs, então, que metade desse grupo desativasse sua conta por um mês.

O experimento mostrou que, apesar da diminuição da interação, quem ficou fora da rede teve melhora na sensação de bem-estar. Sintomas de ansiedade e depressão diminuiram em 25 a 40% desse grupo.

Além disso, quem ficou um mês sem Facebook aumentou o número de atividades off-line, e melhorou o convívio com a família e com os amigos.

Outra importante constatação foi que as pessoas observadas também foram menos influenciadas por ideias políticas polarizadas. Dessa forma, cada um desses indivíduos teve uma concepção de suas próprias posições e escolhas mais pessoal e independente.

O único ponto considerado negativo foi a diminuição do consumo de informação jornalística. Isso porque, hoje em dia, muitas pessoas informam-se exclusivamente pelas redes sociais. Nesse caso, a alternativa seria visitar diretamente os sites de notícias, havendo a necessidade de atualização sobre os assuntos cotidianos.

Apenas alguns minutos por dia sem mídias sociais

Outro estudo norte-americano, desta vez da Universidade da Pensilvânia, analisou como a limitação do uso da rede social pode impactar a vida das pessoas. Em conclusão, o resultado do experimento mostra dados relevantes com relação ao ganho de qualidade de vida.

Um grupo foi dividido em pessoas que acessariam irrestritamente as redes sociais Facebook, Instagram e Snapchat; e pessoas que teriam o uso dessas mesmas redes sociais limitados a 10 minutos por dia.

Após três semanas, o grupo que passou apenas poucos minutos nessas mídias apresentou resultado surpreendente. Houve diminuição considerável da sensação de solidão e dos sintomas de ansiedade e depressão.

Sendo assim, os autores do estudo concluíram que reduzir o uso dessas mídias pode trazer uma série de benefícios para o indivíduo.

Nem sempre a restrição é possível para todas as pessoas. No entanto, pensar na limitação do uso pode ser um bom caminho para a preservação da saúde mental. Os autores propõem, ainda, que se pense a forma como se gasta o tempo no Facebook, Instagram ou outras mídias sociais.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Transtorno de ruminação: sintomas, causas e tratamentos

Transtorno de ruminação: sintomas, causas e tratamentos

O transtorno de ruminação é um distúrbio alimentar ainda pouco compreendido. Isso acontece porque, quem é acometido pelo problema, apresenta um comportamento altamente desviante, pensando-se no padrão alimentar considerado normal.

O indivíduo com mericismo, como também é denominado esse transtorno, regurgita o alimento, isso sem que haja qualquer disfunção gastrointestinal desencadeadora do ato. Esse comportamento pode se repetir a cada refeição e, com o tempo, comprometer o sistema gástrico, provocar perda de peso, bem como mau hálito e cáries.

Muitos médicos ainda confundem o problema com o refluxo gastresofágico. No entanto, o transtorno de ruminação é considerado um transtorno de saúde mental, uma vez que se relaciona com aspectos emocionais e neurológicos. Por isso, são mais facilmente diagnosticados por psiquiatras e psicólogos.

Entendendo o transtorno de ruminação

A ruminação, no caso do mericismo, significa a retomada frequente da mastigação. Os portadores desse distúrbio alimentar ingerem o alimento, retornam o alimento já ingerido até a boca. Repetem, então, o mesmo ato, mastigando e ingerindo novamente.

Nesse processo, não há esforço, dor, queimação, azia ou refluxo. Ele acontece em função de uma contração involuntária dos músculos do abdômen. O alimento volta à boca de forma pouco digerida, no entanto, sem o gosto ácido característico do vômito.

Essa rotina de regurgitações pode acontecer após cada refeição, mais ou menos uma hora após ela ter sido feita. Esse padrão alimentar passa a ser incidente no dia a dia, podendo ultrapassar o período de um mês.

Não é problema gástrico

O diagnóstico do transtorno de ruminação não é fácil. Muitas vezes, o indivíduo consulta-se, primeiramente, com o clínico geral ou gastroenterologista, para tentar entender do que se trata o problema.

Em geral, só há um posicionamento final em relação ao quadro, quando são observados também fatores mentais associados a ele. O distúrbio, quando diagnosticado, em geral, ocorre a pessoas com depressão, com dificuldades cognitivas e em situações de estresse.

A incidência do problema é mais frequente em bebês, adolescentes ou indivíduos com atraso cognitivo. No entanto, tem ocorrido cada vez mais em adultos saudáveis também.

Como tratar

Antes de definir o tipo de procedimento terapêutico que será empregado, o médico responsável deverá eliminar a possibilidade de outras doenças. Entre as patologias a serem descartadas para o quadro estão: o refluxo gastroesofágico, a bulimia, a gastroparesia (digestão lenta), bem como a acalasia (estômago que não relaxa ao engolir).

O tratamento é feito com base na análise profunda de cada caso. Podem ser empregadas medicações para reduzir a acidez do estômago, já que a prática contínua da regurgitação causa problemas gastroesofágicos.

Além disso, há necessidade de acompanhamento por psiquiatra e psicólogo. Quando há associação de depressão e ansiedade ao quadro, são indicados medicamentos antidepressivos durante determinado período.

A terapia cognitivo-comportamental também pode ser empregada. Dessa forma, o indivíduo pode aprender técnicas que ajudarão no controle da regurgitação.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Transtorno alimentar restritivo evitativo: sintomas, causas e tratamentos

Transtorno alimentar restritivo evitativo: sintomas, causas e tratamentos

O transtorno alimentar restritivo evitativo, também conhecido pela sigla TARE, é diagnosticado quando uma pessoa come quantidades muito pequenas de alimento. Além disso, quem é acometido pelo problema pode se recusar a comer determinado tipo de comida.

É natural ter alimentos preferidos e alimentos não tolerados. Mas, quem é portador do TARE não tem o apetite normal como o das outras pessoas. Conseguem, inclusive, além de evitar algumas comidas, se alimentar de quantidades tão ínfimas a ponto de comprometer a própria saúde.

O TARE é classificado como um transtorno psiquiátrico e foi incluído na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5). Isso porque o comportamento alimentar restritivo pode estar associado a uma resposta emocional negativa do indivíduo em relação a algum aspecto da sua vida.

Causas para o transtorno alimentar restritivo evitativo

A associação negativa entre as emoções e a comida, característica do transtorno restritivo evitativo, é apontada por alguns profissionais da área de saúde mental como decorrência de problemas familiares.

Pode ocorrer, por exemplo, em função de pais muito rígidos, que forçam a ingestão de alimentos indesejados. Ou, então, de famílias que brigam muito na hora das refeições, criando um abalo emocional na criança que está à mesa para se alimentar. Para corroborar com essa perspectiva, a maior incidência do TARE é em crianças.

O TARE não tem relação com a escassez de alimentos incidente em algumas culturas. Alguns estudiosos defendem que o transtorno também pode ter relação com o impacto sensorial que a comida causa em cada pessoa. Ou seja, o aspecto do alimento desperta emoções negativas, desencadeando enjoo e náuseas, o que impede a pessoa de ingerir tal alimento.

É importante ressaltar, no entanto, que esse tipo de problema não se relaciona com doenças como a anorexia ou a bulimia. Isso porque o que acontece é a privação e repulsa pelos alimentos. Indivíduos com TARE podem restringir os alimentos que ingerem a uma lista de, no máximo, 10 itens.

Como tratar?

O transtorno tem cura e deve ser efetivamente tratado, pois pode trazer prejuízos para a saúde do indivíduo. Exemplos são a deficiência nutricional, perda de peso e crescimento abaixo da média em crianças.

Além disso, pode haver interferência no funcionamento psicossocial e desencadeamento de transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo. E, ainda, transtornos do neurodesenvolvimento, como por exemplo, o transtorno do espectro autista e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O tratamento para este tipo de problema deve ser, sobretudo, multidisciplinar. O psiquiatra, em associação com o nutricionista e com o psicólogo, pode ajudar o indivíduo a lidar com todas as dificuldades relacionadas ao problema.

Em alguns casos, o transtorno restritivo evitativo pode ser um alerta para o aparecimento de outros distúrbios alimentares. Por isso, é importante que, no caso de crianças, os pais fiquem atentos a comportamentos anormais em relação à comida.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Alotriofagia: sintomas, causas e tratamentos

Alotriofagia: sintomas, causas e tratamentos

A grande maioria das pessoas nunca ouviu falar em alotriofagia. Entretanto, você provavelmente já soube de alguma mulher grávida que quis comer algo fora do comum, como barro, gelo ou algodão, por exemplo.

A alotriofagia, ou pica, é um transtorno em que há a ingestão de substâncias sem valor nutricional, normalmente fora de qualquer cultura alimentar. É um problema mais incidente em crianças de um a seis anos, mulheres grávidas e indivíduos com carências nutricionais.

Por que comer substâncias sem valor nutritivo?

A alotriofagia pode ter diversas causas. Pessoas com deficiência de zinco e ferro, por exemplo, podem desenvolver o transtorno. Esse é o caso das mulheres grávidas, que, por vezes, têm anemia em alguma fase da gestação.

O problema também pode acometer indivíduos com algum tipo de transtorno mental. Como depressão, esquizofrenia ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

O único sintoma desse distúrbio alimentar é a ingestão de substâncias estranhas à alimentação normal. Entre os itens que os portadores da doença costumam consumir, estão: terra, cabelo, gelo, sabão, fezes de animais, alimento sem preparo, barro e tinta.

A pessoa com alotriofagia repete o comportamento de ingerir essas substâncias por um período longo de tempo. Não é, portanto, apenas um acontecimento pontual. Entre as consequências do transtorno está o risco de intoxicação e infecção no aparelho digestivo.

Diagnóstico da alotriofagia

Na busca por um diagnóstico, o médico precisa, primeiramente, eliminar a possibilidade de a prática alimentar atípica não ser sintoma de doenças mentais. Nesses casos, o indivíduo não tem capacidade de discernir o que é que se pode ou não comer.

Diante de um quadro que se caracterize a alotriofagia, deve-se verificar se a ingestão da substância causou algum dano ao organismo. Isso é possível através da realização de exames de imagem e de sangue.

Logo após, também é necessário investigar o ambiente em que a pessoa vive, suas relações familiares e outras possíveis causas para o aparecimento do transtorno. É aconselhado que um familiar ou pessoa próxima acompanhe o indivíduo na primeira consulta.

Tratamento

O tratamento será indicado de acordo com o que o médico do caso verificou como causa. Entre os procedimentos terapêuticos utilizados, estão a prescrição de suplementos vitamínicos, bem como psicoterapia.

Em casos onde forem verificados problemas gástricos, infecção e intoxicação, também serão prescritos medicamentos específicos para o tratamento de cada uma desses problemas.

Não há, entretanto, um medicamento específico que trate a Pica. As crianças precisam ter um acompanhamento especial. Assim, quanto antes o distúrbio for observado, menores serão os ricos e os danos que a ingestão de alimentos impróprios pode trazer.

Os médicos e profissionais envolvidos no tratamento desse tipo de problema são os psiquiatras, os psicólogos, os clínicos gerais e os nutrólogos.

Se você perceber alguma criança ou adulto próximo que apresente o sintoma da alotriofagia, não deixe de encorajá-lo a procurar por um médico de confiança. Dessa maneira, quanto antes o tratamento for iniciado, menores as chances de prejuízos para o organismo da pessoa.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
10 tipos de transtornos alimentares que você precisa conhecer

10 tipos de transtornos alimentares que você precisa conhecer

Os transtornos alimentares são considerados condições psiquiátricas. Essa classificação se justifica pois são disfunções relacionadas a uma prática alimentar que foge do padrão. Geralmente, elas são motivadas por algum tipo de sofrimento mental.

Tais problemas têm tratamento. No entanto, é importante identificá-los precocemente, para que não se agravem atingindo condições de saúde mais sérias.

Por isso, no artigo de hoje, são apresentados alguns tipos de transtornos alimentares. Acompanhe em seguida.

Dez tipos de transtornos alimentares

Anorexia

A anorexia é um transtorno alimentar em que o indivíduo ingere uma quantidade insuficiente de calorias. Devido a isso, seu peso fica muito abaixo do que é considerado normal.

Quem tem anorexia, geralmente, tem medo de engordar. E também não consegue entender que está abaixo do peso, considerando sempre que pode emagrecer mais e mais.

Bulimia

A pessoa bulímica é aquela que tem episódios recorrentes de compulsão alimentar, seguidos de culpa e vômito induzido.

Por ter preocupação extrema com o peso, quem tem bulimia também pode fazer exercícios de forma excessiva. Pode, também, usar indiscriminadamente laxantes e outros medicamentos, como inibidores de apetite.

Transtorno de compulsão alimentar periódica

O transtorno de compulsão alimentar se caracteriza por comer mais rapidamente do que o normal e até sentir-se desconfortavelmente cheio. Além disso, outra característica do distúrbio é ingerir grandes quantidades de alimentos quando não está fisicamente com fome, bem como comer sozinho, por vergonha da quantidade que está ingerindo.

Tais atitudes são seguidas de culpa e, ao mesmo tempo, constrangimento.

Transtorno de ruminação

O transtorno de ruminação ocorre quando o indivíduo come, regurgita ou cospe, mastiga novamente e volta a engolir o alimento. É mais frequente em crianças pequenas.

Transtorno alimentar restritivo evitativo

O transtorno alimentar restritivo evitativo é uma perturbação alimentar em que a pessoa não satisfaz suas necessidades nutricionais com o alimento ingerido. As características desse problema são a perda de peso significativa ou insuficiência do crescimento esperado.

Ocorrem deficiências nutricionais, dependência de suplementos, bem como problemas nutricionais que interferem no funcionamento psicossocial.

Pica

Pica é a ingestão de substâncias que não têm valor nutricional, como, por exemplo, se alguém come algodão ou argila. Mais incidente em mulheres grávidas e crianças.

Ortorexia

A ortorexia é um comportamento alimentar em que há obsessão por alimentos saudáveis. Sendo assim, muitas comidas são excluídas da dieta, principalmente as industrializadas.

Hiperfagia

A hiperfagia se caracteriza pela ingestão de uma grande quantidade de comida, após um evento traumático. Como se este tipo de alimentação em excesso pudesse aliviar o sofrimento da pessoa.

TOC por alimentos

O transtorno obsessivo-compulsivo por alimentos é um tipo de ansiedade que envolve pensamentos intrusivos e repetitivos. Esses pensamentos só são aliviados enquanto a pessoa está comendo.

Vigorexia

A vigorexia ocorre quando há obsessão em ficar muito musculoso. O dismorfismo corporal acaba por vir acompanhado de uma alimentação extremamente restrita, para que a estrutura física seja mantida.

Diante de qualquer uma dessas condições, portanto, é de extrema importância buscar ajuda médica. O apoio familiar e dos amigos também é igualmente fundamental para o sucesso do tratamento dos transtornos alimentares.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Como identificar e controlar o comportamento impulsivo?

Como identificar e controlar o comportamento impulsivo?

Conhece alguém que tem o chamado “estopim curto”? Talvez essa pessoa não seja apenas nervosa. Pode ser que ela apresente comportamento impulsivo, resultado do transtorno de personalidade explosiva. Quem tem esse problema geralmente age de modo imprevisível e imprudente, sem pensar nas consequências de suas ações. 

As atitudes impulsivas e desajustadas trazem grandes prejuízos à vida social, afetiva e profissional desses indivíduos, justamente porque eles têm dificuldade de controlar suas emoções e seus atos. Quer saber como identificar se você ou alguém próximo tem comportamento impulsivo? Neste artigo, trazemos informações para você reconhecer e tratar o problema. Confira!

Quais as principais características do comportamento impulsivo?

A característica predominante do comportamento impulsivo, como o próprio nome sugere, é a incapacidade resistir às tentações e aos impulsos. A pessoa com esse tipo de comportamento costuma realizar atos sem planejamento, além de ações que podem colocar a si mesmas e outras pessoas em risco. Há um claro descontrole emocional e isso pode produzir efeitos graves.

De modo geral, pessoas com comportamento impulsivo possuem humor instável e imprevisível, tendência a acessos de raiva, temperamento conflituoso, imediatismo e dificuldades nos relacionamentos afetivos. Elas falam sem pensar e tomam decisões precipitadas constantemente.

Como a pessoa se sente antes de sucumbir ao impulso?

Em boa parte dos casos, o indivíduo sente uma crescente excitação, ansiedade ou tensão antes de cometer o ato impulsivo. Ele pode apresentar sintomas como tremor corporal, fala ofegante, dificuldade para conectar as ideias e se expressar pela fala, respiração acelerada, sudorese e palpitações. 

O que ela sente depois do ato impulsivo?

Os sinais físicos mencionados indicam que a pessoa não está bem para fazer aquela ação, mesmo assim ela ignora os sintomas, segue em frente e age por impulso. Depois de cometer o ato, pode se arrepender ou não. O sentimento de culpa, quando ocorre, vem acompanhado de autorrecriminação, mas nesse caso, pode ser tarde demais.

O comportamento impulsivo pode estar associado a outros transtornos?

Sim, nem sempre o comportamento impulsivo vem sozinho. Ele pode estar associado a outros transtornos, como, por exemplo:

  • jogo patológico, que corresponde ao vício de fazer apostas e jogar jogos de azar;
  • cleptomania, que equivale a incapacidade de resistir aos impulsos de roubar objetos, ainda que eles sejam desnecessários, inúteis e sem valor;
  • piromania, que significa incendiar coisas por prazer, para se sentir recompensado ou aliviar a ansiedade;
  • tricotilomania, que é o ato de puxar os fios do próprio cabelo para se sentir bem e se tranquilizar.

Como controlar o comportamento impulsivo?

Seria simples considerar que, para controlar o comportamento impulsivo, bastaria pensar antes de agir, respirar fundo e contar até dez. No entanto, quando a impulsividade é patológica, é mais difícil racionalizar esse processo. Sendo assim, para tratar a condição, é importante buscar suporte psicológico e psiquiátrico a fim de encontrar ferramentas para lidar com essa condição e desenvolver o autocontrole.

É necessário eliminar da vida alguns gatilhos que causam as explosões emocionais, além de se concentrar em coisas positivas, como um hobby, por exemplo. Se você notar que seus impulsos são muito difíceis de conter, procure ajuda imediatamente. Isso evita desdobramentos perigosos como quadros depressivos, irritabilidade, gastos desnecessários, ciúme doentio, etc.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos
Como controlar a preocupação excessiva?

Como controlar a preocupação excessiva?

Você é daquelas pessoas que vivem preocupadas com o futuro? Fica ansioso constantemente e isso chega a atrapalhar sua vida cotidiana? Seus dias são marcados por tensão e apreensão?  Suas noites de sono já não são como antes e agora você já não consegue dormir bem? Está sempre em ritmo acelerado e ocupa seu tempo com pensamentos contraproducentes? Talvez seja interessante, então, controlar a preocupação excessiva.

A ansiedade é uma condição natural diante de situações que geram medo ou expectativa. Uma viagem muito aguardada, uma mudança de cidade, uma entrevista de emprego…Enfim, o estado ansioso nos prepara para encarar desafios e, de certo modo, pode até contribuir no processo de adaptação. Por outro lado, ansiedade em excesso pode ser extremamente prejudicial, a ponto de desencadear sintomas como mal-estar físico, dor de cabeça, inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, perturbação do sono e tensão muscular.

Neste artigo, trazemos mais informações sobre como manter a ansiedade e preocupação excessivas sob controle. Confira!

Dicas para controlar a preocupação excessiva

Encare os problemas de maneira objetiva

Se o problema de fato existe, procure encará-lo de forma objetiva, entenda o que realmente está acontecendo e quais os impactos que a situação pode causar. Depois disso, foque em possíveis soluções e pense por um momento em como você agiria e o que aconselharia se o problema  não fosse seu. Além disso, tente resolver e não complicar ainda mais o quadro, tornando tal problema maior do que ele realmente é.

Relaxe e concentre-se em outras coisas

Para combater a preocupação em excesso, desconecte-se por um tempo dos problemas e mude o seu foco, ainda que seja por um breve momento. Descanse, dedique-se a algum hobby, passeie com a família e relaxe. Deixar de descansar ou se divertir não resolve. Pelo contrário, isso compromete a saúde mental e agrava a situação. Lembre-se de que, se você estiver relaxado, fica mais fácil encontrar soluções para eventuais problemas.

Pare de ser pessimista

Não potencialize os problemas, não veja tragédia onde não tem, não se coloque para baixo e nem fique apenas olhando o ponto negativo das coisas. Acredite em si mesmo e tenha uma atitude positiva diante da vida. Aprecie o belo e valorize o que é bom. 

Aprenda a reprogramar a rota

Nem sempre as coisas vão sair como você planejou e isso não é necessariamente ruim. É preciso aprender a lidar com contratempos e reprogramar a rota. E isso pode ser melhor do que você imagina! Saiba que, se algo fugir ao planejado inicialmente, existe o plano B. Então, diversifique suas opções e sempre tenha mais de uma alternativa. Não concentre suas expectativas e projetos em uma coisa só.

Busque auxílio profissional

Se sua ansiedade é excessiva, a preocupação parece incontrolável e você tem a sensação de que não vai conseguir solucionar seus problemas sozinho, procure ajuda profissional. Você é forte e capaz de enfrentar adversidades e desafios, mas há situações em que o especialista fornecerá ferramentas para lidar com os problemas da maneira mais adequada.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Posted by Dra. Aline Rangel in Todos