Os benefícios da atividade física na prevenção da depressão

A depressão ocorre quando a pessoa sente extrema tristeza, angústia e desânimo, associados às alterações de sono, apetite, pensamentos e...

A depressão ocorre quando a pessoa sente extrema tristeza, angústia e desânimo, associados às alterações de sono, apetite, pensamentos e atividade. Apesar de ainda ser carregada de estigma e preconceito, a depressão é descrita desde o início da história. Por exemplo, o conto de suicídio de Ajax na Ilíada de Homero, uma das obras de arte mais influentes do mundo antigo, já descrevia a depressão como uma doença de grande impacto na existência das pessoas. 

Ao longo da vida, cerca de 5 a 17% dos indivíduos terão transtorno depressivo maior. Sendo esse mais comum em mulheres e a partir dos 40 anos de idade. Se não tratado, pode haver crises cada vez piores e mais recorrentes, além de impactar todos que vivem ao redor. Entenda como essa doença se estabelece para, enfim, conseguir prevenir sua ocorrência. 

Quais são as causas da depressão?

Fatores biológicos

  • Circuitos neuronais apresentam importantes disfunções em indivíduos depressivos. Por exemplo, neurotransmissores de boas sensações, como serotonina e norepinefrina, estão em menor quantidade do que o normal. 
  • Hormônios de estresse, como o cortisol, estão em níveis muito maiores, perpetuando o ciclo de estresse ambiental (trabalho, trânsito) com a doença (depressão).
  • O sistema de outros eixos hormonais, como a tireoide, está desregulado.
  • Alterações do sono impactam diretamente no estado de humor, sendo a insônia correlacionada a estados depressivos. 

Fatores psicológicos e sociais

Diversas influências externas podem causar alterações do humor tão profundas que desencadeiam episódios depressivos. Por exemplo:

  • falecimentos, acidentes;
  • doenças graves, deficiência física;
  • abuso de drogas;
  • isolamento social;
  • falta de relacionamentos duradouros.

Como a atividade física interage com as causas da depressão?

O exercício, por si só, ativa vias que estão prejudicadas na depressão. Ele aumenta os níveis de neurotransmissores, como endorfina, que causa euforia e diminuição da dor física. Com mais serotonina no organismo, a pessoa sente satisfação e melhora o sono e o apetite ao mesmo tempo.

A atividade física também propicia que a pessoa se conecte com o presente, esquecendo o estresse advindo do trabalho, família e trânsito, por exemplo. Desse modo, deixa de pensar apenas nas coisas ruins e se distrai. Além disso, por meio da atividade física, as pessoas podem aumentar a autoestima, ter maior controle sobre o corpo e conhecer novas pessoas com interesse comum, sendo, também, uma atividade social. 

Prevenindo a depressão e se sentindo bem

Para prevenir a depressão, primeiramente, é necessário que o indivíduo se conheça bem e saiba identificar os possíveis fatores causadores. Em seguida, deve agir de modo preventivo. Por exemplo, se há alguma disfunção hormonal, é preciso ajustá-la com ajuda de um médico. 

Uma boa prática para prevenir diversos transtornos, dentre eles a depressão, é a atividade física regular. Para isso, é fundamental que o exercício seja agradável, previsível, com boa frequência e não competitivo. Aconselha-se que seja aeróbico, por melhorar enfaticamente a circulação de oxigênio no cérebro. A duração deve ser de 40 minutos, pelo menos 3 vezes por semana.

A fim de ser bem orientado e alcançar todos os benefícios da atividade física, incluindo a prevenção da depressão, procure um especialista para uma consulta.


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Dra. Aline Rangel, médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga.

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Sua prática integra psiquiatria, psicoterapia e sexualidade humana, com cuidado baseado em ciência e presença.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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