O que significa realmente o vício, na visão da psiquiatria?

O vício, na visão da psiquiatria, se caracteriza pelo uso compulsivo de alguma substância. Ele também é conhecido como transtorno...

O vício, na visão da psiquiatria, se caracteriza pelo uso compulsivo de alguma substância. Ele também é conhecido como transtorno de uso severo de substância. Assim, tem como consequência a dependência.Pessoas com esse problema, mesmo tendo consciência do dano que pode lhes trazer, não conseguem abandonar o hábito nocivo. Geralmente, ele é altamente incapacitante. Causa prejuízos na convivência social e prejudica a produtividade, bem como a qualidade de vida do indivíduo.No entanto, hoje em dia, há uma série de tratamentos que podem recuperar aqueles que são tomados pelo transtorno. Para obter ajuda, entretanto, é preciso que a pessoa, primeiramente, assuma que é um adicto, ou dependente. É também necessário ter uma estrutura familiar e de amigos que a apoie no caminho de volta à vida normal.

Encarando o vício

A dependência química é uma condição complexa, que desafia a própria psiquiatria. A possibilidade de uma pessoa desenvolver o vício varia de organismo para organismo. Ele pode estar relacionado a um transtorno mental pré-existente, como a ansiedade e a depressão.Em geral, quem abusa do consumo de substâncias químicas está buscando alívio para algum sofrimento, seja para o corpo ou para a mente. No entanto, há também quem passe a usar determinada droga para melhorar o desempenho em alguma atividade. Há, ainda, aqueles que começam o uso por influência dos seus pares.A maior complicação é que, com o tempo, o corpo cria resistência a essas substâncias. Gera, então, a necessidade de uma quantidade cada vez maior. Dessa maneira, o exagero acaba por causar sérios danos ao funcionamento cerebral.Ocasiona-se, então, alteração no comportamento, no pensamento e nas funções corporais. A noção da realidade passa a ficar desordenada e o convívio no trabalho e em família torna-se mais difícil. Além disso, o aprendizado e a tomada de decisões ficam prejudicados.Os sintomas do vício em substâncias tóxicas podem ser classificados a partir de quatro categorias. Em seguida, saiba quais são elas.
  • Controle prejudicado: desejo incontrolável de consumir a droga; falha na tentativa de controlar, diminuir ou parar o uso.
  • Problemas sociais: incapacidade de completar tarefas no trabalho, na escola ou em casa; queda de convívio social.
  • Uso arriscado: convivência em ambientes de risco ou ambientes em que a droga pode ser facilmente encontrada.
  • Efeitos de consumo: tolerância (necessidade de maiores quantidades para obter o mesmo efeito) e abstinência.

Um prazer perigoso

Entre as principais substâncias responsáveis pelo vício, estão:
  • álcool;
  • tabaco;
  • maconha;
  • LSD e outros alucinógenos;
  • inalantes, como cola de sapateiro;
  • analgésicos opiáceos, como heroína, codeína e oxicodona;
  • sedativos, hipnóticos e ansiolíticos;
  • estimulantes, como cocaína e metanfetamina.
Durante a fase de intoxicação, os adictos relatam que a sensação é de prazer, calma, ampliação dos sentido, bem como alívio de estresse. Essas sensações variam de substância para substância. Assim como a abstinência de cada uma delas, que, dependendo da droga, pode ser altamente severa.A consequência desses momentos de prazer observados em quem tem algum tipo de vício pode ser o desencadeamento de malefícios irreversíveis para o organismo e, até mesmo, a morte precoce.Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!
Dra. Aline Rangel, médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga.

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Sua prática integra psiquiatria, psicoterapia e sexualidade humana, com cuidado baseado em ciência e presença.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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