Medicamentos psiquiátricos: quando eles são necessários?

Os transtorno psiquiátricos são doenças com efeitos prejudiciais à saúde do corpo e da mente. Assim como outras doenças cujos...

Os transtorno psiquiátricos são doenças com efeitos prejudiciais à saúde do corpo e da mente. Assim como outras doenças cujos sintomas não podem ser curados ou controlados sem o uso de algum remédio para combater vírus, bactérias e outras disfunções do organismo, o tratamento de distúrbios mentais necessita de medicamentos psiquiátricos.

Transtornos mentais causam ansiedade e depressão, por exemplo, bem como prejudicam o sono, apetite, memória, batimentos cardíacos, funcionamento do aparelho respiratório, além de tantos outros sintomas que passíveis de ser melhorados  com medicação.

Preconceito e desinformação em relação às doenças mentais e o uso de medicamentos psiquiátricos retardam o início do tratamento, resultando em mais complicações e prejuízos à qualidade de vida do paciente e também das pessoas com as quais ele convive.

Doenças mentais: alterações nos neurotransmissores

Doenças mentais, em geral, provocam alterações nos neurotransmissores, substâncias produzidas pelos neurônios e que transmitem informações ao corpo. Por exemplo: noradrenalina, dopamina e serotonina.

O desequilíbrio na produção de neurotransmissores e encontro adequado com seus receptores (como uma “chave e fechadura”) acarreta inúmeros prejuízos ao organismo. Daí surge a necessidade de medicamentos psiquiátricos para minimizar os impactos à saúde. Por essa razão, o diagnóstico e o tratamento de transtornos mentais só podem ser conduzidos por médico psiquiatra.

Diabéticos, hipertensos e cardiopatas, por exemplo, usam remédios a vida toda. Alguns pacientes com câncer enfrentam inúmeras sessões de quimioterapia e radioterapia. Quem tem AIDS necessita do coquetel de remédios para se proteger das infecções oportunistas e evitar a progressão da doença.

Portanto, quando a doença mental apresenta sintomas prejudiciais à qualidade de vida do paciente, inclusive, colocando-o em risco, como acontece em surtos psicóticos e tentativas de suicídio, o tratamento medicamentoso é indispensável. Somente o médico psiquiatra está apto a tomar essa decisão e prescrever os remédios.

Isso não significa, contudo, que o paciente só poderá ser tratado com remédios. A abordagem é multidisciplinar, pois o portador de transtorno psiquiátrico também necessita de atendimento psicológico e social.

Medicamentos psiquiátricos: são para a vida toda?

Em alguns casos, a medicação é necessária durante um determinado período, mas há pacientes que precisam tomar remédios controlados por toda a vida. Tudo está condicionado ao tipo de transtorno mental, ao grau de adesão do paciente ao tratamento, do apoio que o paciente recebe da família e amigos. Enfim, o tratamento de doenças mentais é multidisciplinar.

O medicamento psiquiátrico de uso contínuo é prescrito para o tratamento de doenças mentais crônicas como, por exemplo, a esquizofrenia. Apesar disso, registre-se que há transtornos psiquiátricos que não necessitam de remédios por toda a vida do paciente. Quando o funcionamento do organismo é regulado, a medicação é gradualmente interrompida, ou seja, o médico reduz, aos poucos, a dosagem dos remédios, até a suspensão total.

Medicamento psiquiátrico vicia?

Medicação antidepressiva, estabilizadores de humor e neurolépticos não causam dependência química. O maior risco está no uso inadequado e prolongado de calmantes, porém, esse tipo de remédio é prescrito no início do tratamento, mas retirado quando os medicamentos principais produzem o efeito esperado.

O risco de tolerância aos medicamentos psiquiátricos ocorre somente quando o paciente abandona o tratamento e depois volta a tomar os remédios. Reincidências desse tipo de comportamento elevam o risco de tolerância devido ao agravamento do quadro psiquiátrico.

É importante saber que os medicamentos psiquiátricos não objetivam deixar a pessoa dopada. A finalidade é controlar os sintomas das doenças mentais, melhorar o bem-estar geral e proporcionar condições físicas e mentais para que a pessoa consiga manter uma rotina equilibrada. Para evitar a sonolência durante o dia, o médico psiquiatra receita medicamentos que podem provocar esse tipo de efeito colateral para serem tomados à noite.

Doenças mentais crônicas são incuráveis, mas é possível viver bem, desde que seja aplicado o tratamento adequado e haja o apoio da família. Mas há vários transtornos mentais que podem ser curados, a exemplo dos distúrbios de humor, ansiedade e personalidade. Tudo depende, claro, da adesão do paciente ao tratamento psiquiátrico. O mais importante é não ignorar o sintomas de um possível transtorno mental e buscar ajuda médica.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter. Ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais sobre o meu trabalho como psiquiatra em São Paulo.

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