Como identificar a depressão na gravidez?

À primeira vista, pensa-se que a depressão na gravidez não combina com a fase. A gravidez é um momento de...

À primeira vista, pensa-se que a depressão na gravidez não combina com a fase. A gravidez é um momento de muita alegria pela espera do filho que está para nascer. Em contrapartida, a depressão vem junto com o imaginário cheio de tristeza, angústia e solidão. Contudo, ambas situações podem coexistir. A seguir, o texto esclarece como isso pode acontecer. 

Fatores de risco para a depressão na gravidez 

Fatores de risco representam situações vividas pelas mulheres grávidas que podem levar à depressão gestacional. Elas, porém, não constituem sinônimo da doença. A mulher que estiver sob esses fatores está mais propensa a ter depressão, mas não obrigatoriamente a terá. Mesmo assim, ela deve ficar atenta. Citamos alguns deles:

  • dificuldades financeiras;
  • baixa escolaridade; 
  • desemprego; 
  • violência doméstica; 
  • gestação não desejada ou não aceita pelos pais;
  • ausência de suporte familiar e social; 
  • histórico anterior de depressão, independentemente de ter sido em gestação.

Mudanças na mulher que podem levar à depressão 

Durante a gestação, muitas alterações ocorrem no organismo e na vida da mulher. O corpo todo se adapta à chegada do bebê, havendo mudanças nas mamas, posição de andar, metabolismo, dentre outras. Nem sempre é fácil ver o corpo se transformando tão rápido e intensamente.

Também há as oscilações hormonais. As mulheres sabem que o período perimenstrual é cheio de vontades, medos, choros e desejos alimentares. Isso aumentado – e ao longo de 40 semanas – não é tarefa fácil!

Algumas mães podem se sentir inseguras e com medo da nova fase que está chegando. Outras temem não conseguir cuidar do filho da melhor maneira, ou têm ressalvas quanto ao parto e ao puerpério. De todo modo, até aquelas mães mais seguras, em algum momento, podem precisar de ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. 

Além de essas mudanças clássicas, nos tempos atuais, muitas gestantes também passam por outras dificuldades. Cada vez mais, a mulher se insere no mercado de trabalho, valoriza a carreira profissional e é a base do orçamento familiar. Como a gestação é um período atípico, muitas grávidas podem pensar que não conseguirão retornar à mesma rotina de antes da chegada do bebê. De todo modo, não se preocupe! Para tudo há um tempo certo e você desenvolverá habilidades para fazer o que desejar.

Impacto da depressão na gestante e no bebê

Uma gestante com sintomas depressivos pode relatar medo extremo e profunda angústia, mesmo sem conseguir identificar a causa desses sentimentos. Pode perder a energia e motivação de realizar as tarefas rotineiras, bem como alterar os padrões de apetite e do sono. 

Como consequência, a grávida pode ir deixando de frequentar as consultas de pré-natal, além de não realizar os exames necessários. Ela se preocupa menos com seu próprio estado de saúde, aliviando a tristeza em bebidas ou tabaco, por exemplo.

A saúde da mãe está diretamente relacionada com a saúde do filho. Logo, se a mãe está nessa situação, o bebê também sofrerá. Por isso, filhos de mães que tiveram depressão ao longo da gestação têm maior probabilidade de nascerem prematuros, de terem baixo peso e, até, de óbito pós-natal. 

Por ser uma condição muito importante e que impacta a vida da gestante, filho e toda a família, ao menor sinal de depressão na gravidez, busque ajuda de um médico.


Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como
psiquiatra em São Paulo!

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

Médica Psiquiatra, Psicoterapeuta e Sexóloga.
CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP e em Psicologia Positiva pela PUC-RS.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Fellowship em Psicoterapia Psicodinâmica dos Transtornos de Personalidade no Weill Cornell Medicine Psychiatry. Formação e Treinamento em DBT (Terapia Comportamental Dialética ou Dialectical Behavior Therapy), pela Behavioral Tech/Linehan Institute.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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