Depressão e aids: impactos da doença no tratamento do portador de HIV

Mesmo que hoje não seja considerado uma sentença de morte como há duas décadas, ter HIV ainda faz com que...

Mesmo que hoje não seja considerado uma sentença de morte como há duas décadas, ter HIV ainda faz com que os pacientes carreguem estigma e enfrentem preconceito. O resultado disso é uma carga emocional muito forte, que pode fazer com que essas pessoas desenvolvam problemas psiquiátricos. Esse é o caso da relação entre depressão e aids.

Portadores de HIV têm mais chances de desenvolver depressão quando comparados a indivíduos que não apresentam sorologia para esse vírus. Apesar de não haver um número exato, estudos sugerem que cerca de 20% das pessoas adultas soropositivas apresentam depressão.

Além de todas as complicações que essa doença psiquiátrica causa nas pessoas como um todo, um fator preocupante é que, em paciente soropositivos, a depressão tem impactos diretos no tratamento.

Tratamento, depressão e aids

Diversas pesquisas já demonstraram que a manifestação da depressão em pacientes soropositivos possui impactos negativos sobre o tratamento. Uma das mais conhecidas foi a realizada pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em 2011.

A partir da análise de 201 pacientes soropositivos que abandonaram o tratamento, foi concluído que 53% deles, ou seja, mais de metade, estavam deprimidos. Trata-se de um número extremamente alto e preocupante, uma vez que o levantamento contou apenas com participantes que haviam abandonado o tratamento há mais de 6 meses.

Vale ressaltar que a relação entre depressão e aids não se baseia apenas nos fatores psicológicos e emocionais. Estudos indicam que os próprios medicamentos para o controle da doença, chamados de antirretrovirais, podem alterar a química do cérebro e facilitar a manifestação da doença.

Além disso, a própria contaminação pelo HIV também contribui para o aumento das chances de transtornos neuropsiquiátricos, pois é capaz de atacar o sistema nervoso e levar ao surgimento de patologias.

Consequências da interrupção do tratamento

O tratamento da depressão associada ao HIV deve ser feito tão antes quanto for possível, primeiro com terapia e, caso não dê os resultados esperados, com a utilização de medicamentos, pois a interrupção dos procedimentos tem impactos significativos.

Em pessoas que começam o tratamento precocemente, os sinais são variados e costumam demorar um tempo para se manifestarem – algo perigoso, pois reforça a ideia de que os medicamentos não são necessários, dificultando ainda mais a adesão.

Já em pessoas que começaram o tratamento mais tardiamente, os sinais do não uso dos medicamentos são mais nítidos e se manifestam de forma mais rápida. Assim, o sistema imunológico apresenta queda, facilitando o surgimento de doenças diversas e colocando em risco o bem-estar e mesmo a vida dos pacientes.

Assim, mesmo que o uso dos antirretrovirais cause alguns efeitos indesejados, eles são fundamentais para manter a infecção sob controle. Em caso de qualquer suspeita de interrupção do tratamento devido à associação entre depressão e aids, o paciente deve buscar um profissional o mais cedo possível.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

Dra. Aline Rangel, médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga.

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Sua prática integra psiquiatria, psicoterapia e sexualidade humana, com cuidado baseado em ciência e presença.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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