Como a psiquiatria pode te ajudar a tratar a compulsão alimentar

A compulsão alimentar é um transtorno compulsivo, como tantos outros, em que não há uma relação saudável entre a necessidade,...

A compulsão alimentar é um transtorno compulsivo, como tantos outros, em que não há uma relação saudável entre a necessidade, o estímulo e o hábito. O indivíduo que sofre desse problema não come em função exclusivamente das razões que levam as pessoas a comer, ligadas à nutrição, ao sentimento de satisfação do corpo e ao prazer de saborear os alimentos. Diz respeito a um distúrbio que envolve os seguintes sinais:  ingestão de grandes quantidades de alimentos, mesmo sem fome; se alimentar mesmo quando se sentir desconfortável; refeições noturnas exageradas (o famoso “assaltar a geladeira à noite”); alimentar-se descontroladamente perante situações de estresse; manter o  hábito de  “beliscar” mesmo sem fome, apenas em função da disponibilidade de comida;  comer sozinho e apressadamente, de forma descontrolada, mesmo sem prazer. A compulsão alimentar é uma patologia que tem tratamento e cura.

Além dos sinais citados acima, é possível perceber um visível descontentamento com essa compulsão por alimentos, de tal modo que o doente começa a comer escondido. O motivo para tal comportamento não é apenas a vergonha do hábito, mas com o inevitável resultado desfavorável no aspecto físico. Esse é um quadro de compulsão alimentar.

Mecanismo de compensação

Os especialistas acreditam que esse comportamento é um mecanismo compensatório básico, relacionado à rotina intensa, frustrante, solitária e estressante a que as pessoas são submetidas. Esse hábito de comer de forma descontrolada seria uma compensação à frustração relacionada às expectativas criadas e exigências inatingíveis impostas pela sociedade do consumo.

O indivíduo, ao comer compulsivamente, sente um alívio da tensão, o que faz com que ele se refugie de forma mais sistemática no ato de ingerir alimentos em profusão. Já não é mais um comportamento ligado ao prazer, mas apenas um mecanismo de compensação. Por causa da euforia e ao mesmo tempo da insatisfação, o paciente sabe que não é um comportamento normal, além de ser prejudicial à sua saúde.

Há um processo mental, em que o cérebro não consegue equacionar de forma correta a relação entre desejo, demanda, impulso e satisfação. É como falar de uma fuga da realidade.

Muitas vezes, além do estresse e problemas emocionais, as dietas muito radicais também podem desencadear um impulso por comer tudo aquilo de que foi privado.

Tratamento psiquiátrico para a compulsão alimentar

Normalmente, essas pessoas procuram por tratamentos que visam o controle físico do transtorno, como dietas, por exemplo. Porém, trata-se de uma inquietação que tem sua origem em questões mentais. Com isso, alguns desses pacientes tendem a ganhar muito sobrepeso e se tornarem pessoas infelizes.

O que caracteriza o diagnóstico é a ocorrência desse tipo de comportamento pelo menos duas vezes na semana durante os últimos seis meses, não estando acompanhados de comportamentos de compensação extremos – como uso de laxantes e vômito.

O tratamento psiquiátrico é focado nos fatores físicos e emocionais. A terapia consiste em ajudar as pessoas a lidarem melhor com os sentimentos, com a alimentação em situações diversas (como em ceias de Natal, por exemplo). A finalidade do acompanhamento é tornar essas pessoas capazes de dizerem não à comida se ela não for necessária. Assim conseguirão melhorar os relacionamentos pessoais e a autoestima.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo.

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