Como identificar e tratar a depressão infantil?

Os estudos de transtornos mentais em crianças e adolescentes vêm crescendo ao longo dos anos. O Treatment of Adolescent Depression,...

Os estudos de transtornos mentais em crianças e adolescentes vêm crescendo ao longo dos anos. O Treatment of Adolescent Depression, disciplina norte americana sobre o assunto, revela a prevalência de depressão em várias faixas etárias. Por exemplo, crianças em idade pré-escolar (2 a 4 anos) apresentam taxa de 0,3%. Crianças de 5 a 10 anos, 2 a 3%, enquanto os adolescentes apresentam prevalência de 8%. Ou seja, a depressão se torna mais frequente com o passar dos anos.

Além disso, esse transtorno afeta de forma igual crianças de ambos os sexos, até os 10 anos. Por outro lado, em adolescentes, é 3 vezes mais comum no sexo feminino. Os sintomas, de forma geral, variam de acordo com o grau de desenvolvimento e amparo familiar. O diagnóstico é clínico e feito por um médico psiquiatra especializado nesse transtorno. 

Dentre os fatores de risco para desenvolvimento da depressão infantil, cita-se:

  • ocorrência de depressão em início prematuro em outros membros da família;
  • estressores ambientais: falecimento, separação, acidente;
  • coexistência de outras condições, como o TDAH.

Como a depressão infantil se apresenta?

Os sintomas estão muito correlacionados com a grau de desenvolvimento da infância. Mesmo assim, algumas características são comuns nessa faixa etária e nos adultos, como perda de interesse, angústia, alteração do sono e do apetite.  Outras manifestações também podem ocorrer em toda a faixa etária infantil e adolescente, como o medo de ir para a escola, apego excessivo aos pais. A seguir, detalha-se melhor de acordo com a idade.

Crianças até 5 anos

  • crianças consideradas tristes ou apáticas;
  • comumente, não conseguem elaborar verbalmente o que estão sentindo.

Crianças entre 5 e 10 anos

  • timidez excessiva;
  • queixas somáticas, como dor de cabeça e dor no estômago frequentes;
  • dificuldade de concentração.

Adolescentes

  • o humor irritável pode substituir um humor deprimido;
  • abuso de substâncias psicoativas;
  • promiscuidade sexual;
  • planejamento suicida.

Como obter ajuda?

Além da predisposição genética, fatores atuais, como bullying e exigência extrema de pais e professores, acarretam taxas cada vez maiores de depressão em crianças e adolescentes. Em adição, os transtornos depressivos são associados a dificuldades de relacionamento, desempenho escolar comprometido e autoestima sempre baixa. Por isso, a importância de se abordar a doença em estágios iniciais.

Em relação ao curso da doença, quanto mais precoce e sem tratamento, pior é o resultado. Novos episódios são mais frequentes, se a doença for grave. Contudo, os pais não devem se desesperar. O Treatment of Adolescent Depression, no mesmo estudo citado acima, mostra que as terapias atuais são bastante eficazes. Elas consistem no uso de medicação específica, como os antidepressivos da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, junto com terapia cognitivo-comportamental. 

Caso seu filho esteja com dificuldades ou você conheça outra criança com depressão infantil, busque ou sugira ajuda do médico psiquiatra. Não perca tempo em ajudá-los. 


Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como
psiquiatra em São Paulo!

Dra. Aline Rangel, médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga.

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Sua prática integra psiquiatria, psicoterapia e sexualidade humana, com cuidado baseado em ciência e presença.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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