Mindfulness: o que é e como ele é usado na psiquiatria

A prevenção tem ganhado cada vez mais destaque nas diferentes especialidades médicas, pois já está provado que esse caminho é...

A prevenção tem ganhado cada vez mais destaque nas diferentes especialidades médicas, pois já está provado que esse caminho é melhor para as pessoas, que não precisam se submeter a tratamentos, e para os sistemas de saúde, por representar menor custo. No entanto, mesmo que algumas condições não possam ser evitadas, é possível utilizar métodos que um dia foram chamados de alternativos de tratamento, evitando exclusivamente o emprego de medicamentos. Hoje o que era “alternativo” tem sido reconhecido cientificamente como”efetivo”.Esse é o caso do mindfulness na psiquiatria.

Trata-se de uma tradição budista com mais de 2.500 anos de história e, na tradução do inglês, significa “consciência” sobre o que ocorre interna e externamente às pessoas, “atenção” aos pensamentos, ao invés da supressão dos mesmos, e “recordação” da importância de estar sempre consciente.

Assim, o método pode ser considerado como uma espécie de meditação, mas no lugar de se focar no esvaziamento da mente, prega que é necessário deixar todos os pensamentos fluírem livremente, sem dar atenção a nenhum deles.

Mindfulness e psiquiatria

Para entender qual a relação entre a especialidade médica e o método de meditação, é necessário antes conhecer as motivações das doenças mentais.

De acordo com diversos especialistas, uma das principais causas das doenças mentais é a chamada ruminação, ou seja, o julgamento excessivo de todas as ações que o indivíduo toma. Assim, com o passar do tempo, essa ruminação sobre as ações cria um círculo vicioso, no qual os pensamentos ruminativos se realimentam, provocando o adoecimento.

Por mais que pareça algo abstrato, hoje se sabe que diversas condições psiquiátricas, a exemplo da ansiedade, estão diretamente ligadas a falhas neurais no córtex posterior, e há indícios de que essa técnica é capaz de desativar essa área do cérebro.

Assim, na verdade, a relação entre as duas coisas é bem simples: por meio de uma abordagem que considera diversos níveis, a técnica de meditação em questão é capaz de exercer influência na rede neural.

Benefícios

Com as mudanças provocadas na rede neural, hoje se sabe que o mindfulness é uma excelente técnica para que as pessoas aprendam a gerir os estresses físico e psicológico, fazendo com que eles tenham impactos significativamente menores sobre o indivíduo. Além disso, também é capaz de promover maior flexibilidade de comportamento diante de situações consideradas como adversas devido a experiências prévias.

Pesquisa realizada pelo pesquisador Judson Brewer, do Yale School of Medicine Department of Psychiatry, demonstra diversos benefícios que a técnica de meditação apresenta no tratamento de patologias como depressão e ansiedade, no uso de substâncias lícitas e ilícitas e na mudança de hábitos, extremamente difícil de ser feita, mas decisiva para o tratamento de diversos transtornos.

Outros benefícios da técnica consistem na redução da taxa de reincidência da depressão, de comportamento impulsivo, de autolesões e de pensamentos suicidas.

Assim, mesmo que ainda haja muitos estudos dedicados a comprovar cientificamente os benefícios do mindfulness, é possível afirmar que a técnica possui um grande número de pontos positivos em relação aos transtornos psiquiátricos.

 

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

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