adolescência / Dra Aline Rangel


5 de setembro de 2023 Dra Aline RangelSuicídio

A adolescência é aquela fase da vida bastante conhecida por ser uma época em que a cabeça do jovem está cheia de dúvidas e questionamentos sobre sua vida. Muitas vezes o jovem se perde entre a confusão e ansiedade comuns na transição da infância para a vida adulta, quando a pressão para se ajustar aos padrões e sexualidade estão à flor da pele. E quando ele não vê uma saída para isso, acaba de afogando em um mar de angústia que pode levar a comportamentos destrutivos, como o suicídio. Isso mesmo, parece difícil falar sobre isso, mas é importante debater essa questão.

Dados da última pesquisa sobre o assunto realizada pelo Ministério da Saúde, entre 2018 e 2021, revelam que o índice de suicídios nesse período cresceu 12% no país. Sendo essa a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos no Brasil.

Mas afinal, por que nossos jovens se suicidam?

A maioria dos adultos pouco se lembra da adolescência e acabam dando pouca importância para o que os filhos estão passando. Mas é importante lembrar que, o que pode ser visto como nós como algo meio bobo pode levar um jovem a buscar um escape trágico. Abaixo estão listadas algumas das condições relacionadas ao suicídio entre jovens:

  • Distúrbio psicológico como depressão ou transtorno bipolar;
  • Uso de drogas;
  • Sentimento de angústia e desesperança;
  • Abuso físico ou psicológico;
  • Falta de percepção (real ou imaginaria) de apoio ou suporte familiar;
  • Baixa tolerância a frustrações, em muitos casos por não ter sido ensinado a lidar com elas.
  • Questionamentos, culpa ou inadequação no desenvolvimento da sexualidade;
  • Homossexualidade ou qualquer outra orientação sexual sentido como inapropriada;
  • Casos de suicídio na família.

Saiba identificar os sinais associados ao suicídio na adolescência

A grande maioria das tentativas de suicídios entre os 14 e 15 anos vem de um quadro de depressão. E mesmo que esses sinais não sejam tão aparentes, é importante que os pais estejam atentos às vidas e comportamentos de seus filhos. Alguns sinais de que algo está errado são:

  • Isolamento da família e amigos;
  • Falta de interesse na vida;
  • Alterações de comportamento;
  • Baixa autoestima;
  • Dificuldades para dormir;
  • Mudanças de peso/alimentação;
  • Dificuldade de concentração;
  • Sentimentos de angústia, desesperança;
  • Falar sempre em morte ou em “sumir/fugir”

Como ajudar e prevenir um suicídio?

É importante deixar claro que a depressão não é “mimimi”, e que deprimidos também riem, conversam… A ideia de que a pessoa é fraca, sem fé, sem motivos para ter depressão também é um tabu. E por esse estigma, muitos depressivos sofrem sozinhos até que, um dia, essa dor parece ser tão insuportável que o jovem busca o suicídio como válvula de escape.

Por isso, é preciso sempre estar atento, por exemplo, ao conteúdo que nossos filhos postam nas redes sociais. Mensagens muito negativas ou agressivas podem ser um sinal de que algo não anda nada bem.

Apoio e diálogo são fundamentais na prevenção do suicídio

É essencial que o adolescente não se sinta sozinho nesse momento, e que saiba que tem alguém com quem pode contar e que possa escutá-lo de forma atenta e sem juízos de valor. Por isso, deixe claro interesse na vida dele, demonstrando sempre que para todo tipo de problema existe uma solução e que o suicídio não é uma delas.

Se você não se sentir confortável para conversar sobre isso, indique um amigo ou parente com o qual o adolescente se sinta mais confortável para se abrir.

Não ignore seu filho

Ao menor sinal de que algo pode não estar indo bem com nossos filhos, devemos também buscar ajuda profissional. A terapia familiar e também individual é um dos meios mais eficazes de fazer com que essa tristeza aguda na vida do adolescente acabe de uma vez.

Um terapeuta ou psiquiatra sabe como lidar com isso da melhor forma possível. E mesmo que seu filho não queira ir a uma consulta ou diga que está tudo bem, tenha em mente que pensamentos suicidas vão e vem e que, com a ajuda profissional, a probabilidade disso acontecer é muito menor.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!


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7 de fevereiro de 2023 AnsiedadeDepressão0

Engarrafamento de carros. Buzina. Gente pra cá, pra lá. Engarrafamento de gente! Os sinais estão claros: você vive num grande centro urbano. Agora, imagina este cenário com mais carros, buzinas, gente, gente, gente… Imaginou? Bem vindo, o ano de 2023 realmente começou. Você pode estar fora da escola ou faculdade há décadas mas, é fato, nós ainda organizamos nossas metas, tarefas, obrigações, lazer, etc, seguindo a lógica do ano letivo escolar. E isso traz consequências não só no barulho externo,  como o dos carros nas ruas, mas aos nossos “barulhos internos” também.

Ansiedade em relação ao retorno ao ano letivo é uma reação comum e pode ser causada por fatores como pressão para se sair bem, medo de enfrentar desafios, incerteza sobre o futuro, provas, competitividade, apresentações em público, aprovação social, bullying… esses e outros desafios surgem durante a fase escolar e acadêmica. Não há dúvidas de que adolescentes e adultos jovens estão entre as populações mais vulneráveis para ter ansiedade: a vida é só futuro.

Como identificar a ansiedade?

O Ministério da Educação divulgou em 2019 o último resultado do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes, PISA  — Programme for International Student Assessment —, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde os jovens brasileiros estão entre os mais ansiosos e estressados antes de provas.

Psicologicamente falando, a ansiedade moderada pode ser funcional. Esse sentimento leva a pessoa a se dedicar aos estudos. Se fosse pela ausência total de ansiedade, a pessoa não se importaria tanto em ir para a vida, desafiar-se e crescer. A ansiedade elevada, por outro lado, pode interferir na concentração e no sono, levá-lo ao isolamento, causar alterações no humor, pensamentos e fazê-lo se sentir incapaz diante de desafios da vida.

Fique de olho em alguns sinais:

  • Falta de vontade de frequentar a escola/faculdade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Retraimento social e dificuldade de interagir com outras pessoas, mesmo que fora do ambiente escolar;
  • Pensamentos negativos;
  • Fadiga (cansaço físico e mental);
  • Distúrbios do sono;
  • Dores gastrointestinais, tontura, entre outros sintomas no corpo;
  • Estado de alerta constante e preocupação excessiva.

 

Identificou estes sinais? Aqui estão 5 dicas para ajudar a lidar com a ansiedade no início do ano letivo:

1) Planeje antecipadamente

Crie um cronograma de estudos e organize suas tarefas para minimizar o estresse.

2) Pratique autocuidado

Dedique tempo para cuidar da sua saúde física e emocional, dormindo o suficiente, comendo bem e praticando atividades que você goste.

3) Conecte-se com outros estudantes:

Participar de grupos de estudantes ou de atividades extracurriculares pode ajudá-lo a fazer amizades e se sentir mais conectado com a universidade.

4) Converse com um professor/coordenador pedagógico

Se você estiver se sentindo sobrecarregado, converse com um conselheiro de alunos ou um profissional de saúde mental.

5) Tenha uma rede de apoio

Aproveite o suporte que grupos de algumas Redes Sociais possam oferecer e/ou crie um grupo de suporte, nem que seja com você mesmo!

Gostou das dicas?

Lembre-se de que a ansiedade é uma experiência comum e que existem muitos recursos e estratégias disponíveis para ajudá-lo a lidar com ela. Se você se sentir sobrecarregado, não hesite em procurar ajuda e apoio.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra e psicoterapeuta em São Paulo. Clique no botão abaixo e fale com a minha equipe!


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24 de fevereiro de 2021 Todos

Muitos problemas que afetam a aprendizagem na adolescência às vezes podem passar despercebidos por nós, afetando de forma negativa a vida escolar, social e psíquica dos nossos filhos deixando sequelas que podem ser levadas para toda a vida.

Além disso, quando problemas relacionados a dificuldade escolar não são tratados, a autoestima do jovem pode ficar comprometida e ele pode desenvolver quadros de depressão e, em alguns casos, outros transtornos mais graves.

Sintomas que dificultam o aprendizado

A dificuldade no aprendizado pode estar relacionada a transtornos de origens variadas como transtornos do espectro autista ou psiquiátricos, e deficiências intelectuais.

Também está relacionada a transtornos de aprendizagem em leitura (dislexia), escrita (disgrafia), ou matemática (discalculia), com base genética. Mas uma das principais causas de dificuldade na aprendizagem é o Transtorno de Déficit de Aprendizagem e Hiperatividade (TDAH).

TDAH: um dos transtornos mais comuns

Esse transtorno acaba atrapalhando, e muito, a vida escolar do jovem. Dentre os sintomas, é possível observar a presença, por pelo menos seis meses, de ações relacionadas à desatenção, hiperatividade e impulsividade. Tais como:

  • Desatenção: falha em dar atenção a detalhes, dificuldade de manter atenção nas tarefas, parece não estar escutando o que falam, não consegue seguir instruções, desorganização, evitar atividades com esforço mental, perde coisas com facilidade, tem memória falha, e é fácil de distrair;
  • Hiperatividade: sempre inquieto, geralmente desvia o assunto das conversas, fala bastante, está sempre correndo e não consegue ficar parado;
  • Impulsividade: geralmente responde antes de acabarmos de perguntar algo, intromete-se ou interrompe as conversas, não consegue aguardar sua vez nas atividades.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do TDAH e de vários transtornos que podem comprometer a educação dos nossos adolescentes é feito com base no histórico do comportamento do adolescente.

No caso do TDAH não há exames específicos para validação, visto que a base neurológica do transtorno é pouco esclarecida. Durante a consulta com um psiquiatra são avaliados os sintomas recorrentes e, a partir da exclusão de patologias ou problemas que possam gerar sintomas parecidos aos do TDAH, é que o profissional pode dizer se ele sofre ou não do transtorno.

Quais os sintomas recorrentes?

Vale lembrar que outros transtornos que atingem os jovens também tem a agitação como sintoma, como é o caso do Transtorno de Espectro Autista (TEA), do retardo mental, e do distúrbio de conduta. Por isso, é tão importante a presença de um profissional capacitado que possa detalhar a presença de outros sintomas do TDAH.

Os sintomas que mais diferenciam esse transtorno dos demais são: distúrbio depressivo, transtornos variados de aprendizado, comprometimento sensorial, efeito colateral a medicamentos como antipsicóticos e anticonvulsionantes. Por exemplo.

Tratamento indicado

O tratamento de um adolescente com dificuldade escolar mais indicado é a terapia cognitiva comportamental com acompanhamento psiquiátrico, para melhorar os sintomas e prevenir (ou diminuir) as chamadas comorbidades (quando o paciente apresenta ou desenvolve mais de um transtorno) como depressão ou transtorno bipolar.

É indicado que o tratamento seja feito em conjunto, com o psiquiatra e o pedagogo, para que o trabalho tenha maior eficácia e possa reduzir as dificuldades que o jovem tem em sala de aula.

Não deixe os sinais passarem despercebidos

O não tratamento de transtornos de aprendizagem como o TDAH pode acarretar, no futuro, transtorno de conduta, personalidade antissocial e propensão ao vício em drogas, tanto lícitas quanto ilícitas.

Nesse sentido, ao menor sinal de que algo não vai bem, é preciso pedir orientação médica. Só assim o futuro de um jovem com dificuldades como essas não será prejudicado.

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22 de outubro de 2020 AnsiedadeTodos

Provas, competitividade, apresentações em público, mudanças hormonais, aprovação social, bullying… esses e outros desafios surgem durante a fase escolar. A ansiedade, que atinge níveis quase epidêmicos no Brasil, pode ser desencadeada por fatores biológicos, emocionais e, claro, ambientais. A escola, portanto, pode ser um espaço gerador de estresse e ansiedade para o adolescente. Como lidar com a ansiedade no ambiente escolar em adolescentes e encorajar esses jovens a manter a saúde mental em um momento tão intenso da vida?

O perigo da ansiedade na adolescência

A ansiedade faz parte da experiência humana. Todos nós a experimentamos de tempos em tempos, dependendo da situação: antes de entrevistas de emprego, apresentações e eventos importantes, por exemplo. Porém, quando se manifesta em nível elevado, muito intenso e recorrente, é o momento de ligar o alerta.

Os transtornos de ansiedade podem ser muito danosos na fase escolar. É o período em que o jovem está descobrindo seu lugar no mundo, assim como descobrindo a si mesmo. É uma fase também muito caracterizada por uma pressão vinda de pais, professores e, sobretudo, colegas.

O adolescente comumente busca a aceitação em grupos, o que pode levá-lo a abrir mão de suas próprias vontades para se sentir incluído. Aqueles que se recusam a fazê-lo, assim como aqueles que fogem de um padrão estético ou de comportamento, geralmente são deixados de lado. Como consequência, passam a ser alvos de bullying, piadas e chacota, contribuindo para o aumento de ansiedade e minando, aos poucos, sua autoestima, confiança e bem-estar. Esses são os jovens que, no futuro, tendem a manifestar problemas psicológicos.

Como identificar ansiedade nos adolescentes?

Segundo dados levantado pelo PISA (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes), os jovens brasileiros estão entre os mais ansiosos e estressados antes de provas.

Psicologicamente falando, a ansiedade moderada pode ser funcional. Esse sentimento leva o jovem a se dedicar aos estudos. Se fosse pela ausência total de ansiedade, o adolescente não se importaria tanto em se preparar. A ansiedade elevada, por outro lado, pode interferir na concentração e no sono, levá-lo ao isolamento, causar irritabilidade e fazê-lo se sentir incapaz diante de avaliações.

  • Fique de olho em alguns sinais:
  • Falta de vontade de frequentar a escola;
  • Dificuldade de concentração;
  • Retraimento social e dificuldade de interagir com outras pessoas, mesmo que fora do ambiente escolar;
  • Pensamentos negativos;
  • Sintomas psicossomáticos, como fadiga, distúrbios do sono, dores gastrointestinais, tontura, entre outros – para saber mais sobre este tema, clique aqui;
  • Estado de alerta constante e preocupação excessiva.

Como é o tratamento?

Assim como outros transtornos psíquicos, a ansiedade pode ser aliviada com o acompanhamento de um especialista como o psiquiatra. É recomendado buscar o apoio do profissional pois há diferentes tipos de ansiedade, e por isso ela precisa ser devidamente identificada e diagnosticada.

Há sintomas que sugerem transtorno de ansiedade social, em que o indivíduo sente dificuldade e desconforto quando precisa interagir com outras pessoas; outros sintomas indicam TOC (transtorno obsessivo compulsivo), caracterizado por ações e pensamentos repetitivos que passam a prejudicar a vida do paciente; o TAG (transtorno de ansiedade generalizada) causa extrema angústia e preocupação desproporcional à gravidade das situações, entre outros.

Os transtornos tratados por psiquiatras nunca são preto no branco. Tudo é sempre muito cinzento, e por isso os tratamentos variam muito. Podem incluir sessões de psicoterapia regulares e, em alguns casos, medicamentos.

De qualquer forma, é importante buscar tratamento o mais cedo possível. Conte comigo caso tenha alguma dúvida sobre esse ou outros assuntos. Lembre-se de que a saúde mental é parte integrante da saúde do indivíduo e necessária para que todas as áreas da vida possam fluir em harmonia. Abração!



Medo, incerteza e a ansiedade são obrigatoriamente aumentados com surtos de doenças contagiosas, particularmente quando elas envolvem um agente causador de doença novo para a população, previamente desconhecido, como é o caso do surto do coronavírus (COVID-19). E como contar sobre o coronavírus para os nossos filhos quando sabemos ainda muito pouco sobre esta pandemia?

Este medo e ansiedade podem especialmente afetar as pessoas que já sofrem de ansiedade e a enxurrada de notícias repetidas sobre a propagação do coronavírus não ajudam nessa ansiedade.
Crianças e adolescentes podem ter particularmente uma noção difícil do que está acontecendo em tal cenário, dada o seu grau de desenvolvimento cerebral, sua falta de experiência, e sua sugestionabilidade inerente e vulnerabilidade. Aparentemente ciclos de notícias sem fim podem parecer esmagadores, confusos e assustadores para uma criança ou adolescente. As crianças costumam possuir habilidades menores para decifrar e entender, a partir da notícia, o grau de risco que uma doença possa passar para eles ou para seus entes queridos e amigos. Isso pode criar uma sensação de pânico entre as crianças. Isso pode ser mais difícil quando uma criança ou adolescente já está sofrendo de um transtorno de ansiedade ou predispostos a sentir-se mais ansioso em situações incomuns ou novas.

Como uma criança responde a notícia do novo coronavírus pode depender de vários fatores, tais como:

1) idade da criança

2) habilidades / compreensão e nível de desenvolvimento da criança

3) presença, gravidade e tipo de transtorno de ansiedade ou outras condições psiquiátricas que já possam coexistir

4) história prévia de trauma ou doença grave de entes queridos ou com a própria criança ou adolescente5) ocorrência de outros fatores de estresse recentes ou eventos de vida principais (tais como o divórcio dos pais, morte de entes queridos, mudança de escola), etc.

Assim, a resposta dos pais teriam de ser adaptadas à situação individual e ao contexto que envolve sua criança / adolescente.
A seguir estão algumas dicas gerais para comunicar-se com uma criança ou adolescente sobre o coronavírus. Estas podem não se aplicar se o seu filho está sofrendo de um transtorno de ansiedade uma moderada a grave. Nesse caso, consulte o profissional de saúde mental, psicólogo, psiquiatra do seu filho ou pediatra, para elaborar ou modificar o projeto terapêutico individualizado para seu filho.

Modelo Calma:

A forma mais importante e impactante de comunicação para o seu filho é o seu próprio comportamento. As crianças normalmente tendem a ser perceptivas e sensíveis ao comportamento dos outros em seus arredores. Se você e outros adultos no âmbito familiar estão agindo e se comportando com calma, você está enviando uma mensagem clara para o seu filho adolescente que não há necessidade de pânico ou preocupação. Para isso, você precisa prestar atenção e monitorar seus próprios sentimentos e reações. As crianças podem sentir ansiedade dos pais, mesmo quando os pais não estão expressando ou expressar seus pensamentos ou medos relacionados com a ansiedade. Reserve alguns minutos para si mesmo para pausas e respiração consciente durante o dia. Isso pode ajudá-lo no modelo calma para o seu filho.

Manter normalidade: 

Mudanças significativas nas rotinas diárias ou horários são estressantes para as crianças e transmitir para a criança que você está muito interessado ou há uma crise podem aumentar esta percepção. Tente aderir a rotinas e horários habituais na casa, tanto quanto possível. Consistência é a chave. Se a escola da sua criança ou adolescente está fechada, ajude o seu filho a ter estrutura durante o dia, isso pode ajudar na ansiedade. Sentados e ociosos sem um plano para o dia é provável que isso aumente a ansiedade, especialmente para os adolescentes que já sofrem de ansiedade. Por outro lado, se o seu filho tem um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) relacionado ao perfeccionismo mal-adaptado e tem uma necessidade de estruturação excessiva, acrescentando mais estrutura isso não se aplicaria a ele. Nesse caso… Ouça ativamente.

Ouça ativamente:

Ouvir os sentimentos, preocupações, medos e dúvidas sobre coronavírus. As crianças podem receber suas notícias sobre coronavírus da escola, internet, TV, casa ou em outro lugar. Eles podem preocupar-se que o pior pode acontecer a eles e / ou os seus amigos e entes queridos. Faça perguntas de uma forma não-julgadora porém empatia. Mostre ao seu filho que está presente e interessado em ouvir seus pensamentos e sentimentos. Isto tornará mais fácil para o seu filho se aproximar de você com seus pensamentos e sentimentos, hoje e no futuro também.

Validar: 

Reconheça os sentimentos de seu filho. Tenha cuidado para não descartar, invalidar, tirar sarro ou rejeitar os seus sentimentos. Você também pode informar o seu filho que é comum sentir-se dessa maneira; muitas outras pessoas (incluindo crianças) experimentam sentimentos similares. Mais sobre como validar sua criança / adolescente: Muitas pessoas se preocupam que validar sentimentos da criança significaria que eles estão concordando com aqueles e que isso pode aumentar ainda mais esses sentimentos. Validar os sentimentos de alguém não significa que você concorda com as crenças subjacentes a esses sentimentos, mas, isso significa que você reconhecer a presença desses sentimentos e que você entenda que tais sentimentos são uma parte da experiência humana. Validar é muito poderoso, pois ajuda a pessoa se sentirem compreendidas. Isto é especialmente importante para as crianças: como eles dependem de verificar com os pais / professores para dar sentido às suas experiências emocionais, particularmente experiências ou situações que são novos ou incomum para eles. Validação pode ajudar a acalmar sensações infantis e melhorar a capacidade da criança para processar suas emoções.

Ajuda – “Sente-se com ansiedade”:

Incentive seu filho a praticar sentado junto com ele a experimentar a ansiedade, ao invés de fazer algo para aliviá-la ou distrair a sua presença. “Sentar-se com a ansiedade” pode ser um desafio para o seu filho à primeira vista (dependendo da gravidade da ansiedade), no entanto, com a prática, ela vai ajudar o seu filho saber que, apesar de estar com ansiedade pode ser desafiador e desagradável, especialmente no começo, é fato, que esta é uma onda que pode andar, e que estes são sentimentos que passarão e eles não vão definir sua vida. Ajude o seu filho a verbalizar a experiência de ansiedade, em vez de evitá-la. Normalizar a experiência de ansiedade como uma de muitas sensações que todas as pessoas vão sentir também pode ser útil.

Conhecer os fatos e direciona-los para fatos:

Seu filho irá ouvir sobre o coronavírus dentro ou fora de casa. Seja proativo em falar com o seu filho sobre fatos relacionados com o coronavírus. Para isso, você vai precisar ler sobre os fatos em torno coronavírus em primeiro lugar. Certifique-se de que você está recebendo os fatos a partir de fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde.
Para um filho adolescente, mostre a eles fontes cientificamente autênticas e confiáveis de informação notícias sobre coronavírus. Informe a eles que cada nova história pode não ser completa ou mostrar fake news. Dê informação de forma simples, curta e concreta para crianças mais jovens. Você pode usar narração de histórias e dramatização com crianças mais jovens para ilustrar fatos simples. As crianças podem ter ouvido notícias sobre mortes causadas por coronavírus.

Ajuda prática e estratégias de relaxamento:

Estratégias de relaxamento que são baseados em mindfulness, tais como técnicas de respiração, pode ajudar o seu filho a ter mais calma e melhora das sensações ruins. Você pode encontrar mais informações sobre técnicas de respiração consciente em: https: //www.headspace.com/meditação/criancas .
Elas são mais eficazes se praticadas com frequência. A maioria dos exercícios de conscientização, seja a respiração consciente, andar atento ou alimentação consciente, envolvem perceber sem julgamento e a praticar estar no momento presente.
Nota: Por uma questão de simplicidade, as palavras ‘eles’, ‘eles’, ‘seu’, foram utilizados neste artigo como pronomes para a criança / adolescente. Por favor, substituir estes com o pronome adequado, como ele se relaciona com o seu filho / adolescente.


27 de fevereiro de 2018 Todos
O cuidado com a saúde mental das crianças e dos adolescentes deve ser prioridade e colocá-los em risco pode trazer consequências danosas à formação do aparelho psíquico. A determinação sexual é dependente de fatores genéticos, epigenéticos e do desenvolvimento psicossexual precoce e as variações do desenvolvimento sexual podem ocorrer em crianças e adolescentes e devem ser abordadas como tal, não devendo ser objeto de questões políticas, ideológicas ou de outra ordem.

Cremesp manifesta-se sobre saúde mental da criança e do adolescente após Plenária Temática

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) realizou, no dia 19 de janeiro, no auditório de sua sede, a Plenária Temática sobre Desenvolvimento Psicossexual da Criança e do Adolescente.

Compareceram ao evento o presidente do Conselho, Lavínio Nilton Camarim, a psicanalista e conselheira do Cremesp, Kátia Burle Guimarães, a professora do Departamento de Psiquiatria da FMUSP e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Carmita Abdo, os psiquiatras da Infância e Adolescência, Francisco Baptista Assumpção Junior e Regina Elisabeth Lordello Coimbra, o psiquiatra e professor de Bioética na FMUSP, Cláudio Cohen, e a endocrinologista pediátrica e membro da Câmara Técnica de Endocrinologia do Cremesp, Elaine Maria Frade Costa.

Após o evento, o Cremesp divulgou uma nota a fim de manifestar suas considerações a respeito da saúde mental da criança e do adolescente, deixando claro que este cuidado deve ser prioridade.

Confira, abaixo, a nota na íntegra.

 

NOTA DO CREMESP

Após a plenária temática “DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE”, realizada pelo CREMESP em 19 de janeiro p.p, este Conselho vem a público manifestar suas considerações a respeito da saúde mental da criança e do adolescente.

A saúde mental do ser humano depende de um desenvolvimento harmônico, desde o princípio da vida, e uma parte dessa formação se faz por meio do desenvolvimento psicossexual da libido.

Considerando que:

1) a criança é uma pessoa em desenvolvimento e que o ser humano nasce desprovido de condições autônomas para se manter, tanto física quanto psiquicamente,

2) a criança é dependente e requer cuidados especiais, distintos em cada fase do desenvolvimento,

3) as diferentes fases de desenvolvimento evoluirão ao longo das duas primeiras décadas de vida e que essa evolução dar-se-á gradativamente,

4) os bebês e as crianças são absolutamente vulneráveis,

5) é negligente, irresponsável e alienante consentir ou induzir as crianças a fazerem escolhas prematuras, já que são desprovidas de maturidade para tal,

6) é função parental apresentar referenciais para a educação psicossexual da criança, podendo se valer de orientação médica e psicológica,

7) durante a adolescência ainda há parcial vulnerabilidade,

8) educação sexual, direito da criança e do adolescente, é muito diferente de incentivo à indefinição sexual, o que traz a eles insegurança, inadaptação e risco, com consequências para essa população vulnerável,

9) é medida antiética a realização de experimentos psíquicos, não aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), conforme legislação vigente, com a população de crianças e adolescentes, visto sua vulnerabilidade,

10) os Conselhos de Medicina têm por função zelar pela saúde da população, em seus aspectos físicos e psíquicos,

11) a homologação da Sessão Plenária do CREMESP realizada em 14 de fevereiro de 2018.

O CREMESP considera que o cuidado com crianças e adolescentes em seu desenvolvimento psicossexual é prioridade, deixando claro que as diferenças sexuais existem e devem ser observadas para que a confusão não se estabeleça por desvio de objetivos.

Veja a publicação em sua íntegra no site do CREMESP.



9 de fevereiro de 2018 Todos

Entre a infância e a vida adulta, está a adolescência, uma fase intermediária no desenvolvimento humano. Esse período é caracterizado por várias mudanças físicas, hormonais e comportamentais. É comum que nessa etapa, haja flutuações no humor e, até mesmo, transtornos psiquiátricos como a depressão. Sim! Existem adolescentes depressivos. Na verdade, 20% dos casos de depressão entre adultos tem início justamente na adolescência.

A depressão é um problema crônico que afeta, com frequência, indivíduos jovens e que aparentemente não possuem motivos para desenvolver tal transtorno. Na adolescência, a depressão se manifesta pelo estado de espírito persistentemente tristonho, irritado e atormentado, o que pode prejudicar diretamente o desenvolvimento escolar, as amizades e relações familiares. Ficou interessado no assunto? Leia o artigo e conheça as causas e tratamentos da depressão em adolescentes.

Causas da depressão na adolescência

Múltiplos fatores podem ocasionar a depressão em adolescentes, a começar pela predisposição genética. Filhos de pais depressivos têm até quatro vezes mais chances de ter depressão. O quadro também é bastante comum entre adolescentes portadores de doenças crônicas, como a epilepsia e a diabetes.

Em muitas situações, a depressão se instala depois de acontecimentos estressantes, como por exemplo, a perda de entes queridos. Além disso, a negligência dos pais, implicância de colegas, alterações no corpo, distúrbios hormonais, rejeição dos parentes, alcoolismo, uso de drogas e episódios de violência na infância também podem aumentar os riscos de depressão na adolescência.

Cumpre destacar que até a puberdade, as chances de desenvolver depressão é a mesma para meninas e meninos. Depois disso, o problema se torna duas vezes mais frequente em garotas.

Sintomas de depressão na adolescência

Antes de falar sobre os possíveis tratamentos da depressão em adolescentes, é importante mencionar os sintomas do problema, até porque, a identificação desses sinais é o passo que antecede a busca por tratamento. Os principais sintomas são os seguintes:

  • Estado de espírito deprimido durante o dia;
  • Cansaço e indisposição excessivos;
  • Diminuição do interesse e prazer em atividades que antes gostava;
  • Diminuição do apetite, perda ou ganho de peso;
  • Insônia ou sono demasiado;
  • Apatia ou agitação psicoterapia;
  • Sentimento de culpa e inutilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Ideias suicidas e pensamentos de morte;
  • Choro frequente.

Tratamentos para adolescentes com depressão

O primeiro passo do tratamento consiste em esclarecer a natureza da enfermidade para os pais do adolescente com depressão. É fundamental conversar sobre os sintomas, as causas, evolução, opções medicamentosas, psicoterapia, etc.

Por falar em psicoterapia, esse é um tratamento que apresenta ótimos resultados, pois produz melhoras significativas nas relações interpessoais, além do resgate do prazer nas atividades rotineiras.

O tratamento medicamentoso, se bem orientado, também tem efeitos positivos, afinal, há antidepressivos seguros e bastante eficazes. A dose correta realmente pode ajudar na recuperação dos sintomas.

Quer saber mais sobre depressão na adolescência? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!




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