Atomoxetina: novo medicamento não-estimulante para o TDAH

A Atomoxetina é um medicamento não estimulante utilizado no tratamento do TDAH em crianças com mais de 6 anos, adolescentes...

A Atomoxetina é um medicamento não estimulante utilizado no tratamento do TDAH em crianças com mais de 6 anos, adolescentes e adultos como parte de um programa de tratamento integrado, o qual também inclui intervenções psicológicas, educacionais e sociais, além dos medicamentos. É um inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina, que ajuda a melhorar a concentração, a atenção e o controle dos impulsos nos pacientes com TDAH. Ao contrário de medicamentos estimulantes, a atomoxetina possui menos riscos de abuso.

Atomoxetina: um reforço e tanto no controle do TDAH

O êxito deste psicofámaco, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em julho de 2023, está associado ao fato dele atuar especificamente numa área do cérebro chamada córtex pré-frontal (CPF).  O CPF é uma região do cérebro que funciona como um “maestro”:  regula emoções, pensamentos e movimentos que termina de se desenvolver por volta dos 24 a 26 anos. No TDAH, é como se houvesse “um maestro que não rege tão bem os mais diferentes músicos que compõem a orquestra”. Essa falta de “harmonia entre os músicos” tem origens genéticas e pode se manifestar em crianças, jovens e adultos, faz com que o indivíduo convive com desatenção, hiperatividade e impulsividade frequentemente

A Atomoxetina funciona de maneira diferente dos psicoestimulantes. Ela atua como um inibidor seletivo de recaptação de noradrenalina (ISRN) e, ao invés de aumentar os níveis de dopamina e norepinefrina no cérebro, como fazem os psicoestimulantes, a Atomoxetina aumenta predominantemente os níveis de norepinefrina. Isso contribui para melhorar a atenção e o controle impulsivo.

Vantagens da Atomoxetina

Uma das vantagens importantes da Atomoxetina é o fato de não ser um medicamento estimulante. Isso se torna uma opção atraente para pacientes que não toleram bem os estimulantes ou que tenham questões relacionadas ao seu uso, como o potencial de abuso. Além disso, a Atomoxetina é uma opção de tratamento de longa duração, o que significa que uma única dose diária pode proporcionar benefícios ao longo do dia, eliminando a necessidade de múltiplas doses.

Considerações de Segurança e Efeitos Colaterais

Como com qualquer medicamento, a Atomoxetina não está isenta de efeitos colaterais. Os efeitos colaterais mais comuns incluem boca seca, náusea, aumento da frequência cardíaca, constipação, etc. É importante que os pacientes discutam os riscos e benefícios com seu psiquiatra antes de iniciar o tratamento com Atomoxetina. Além disso, o acompanhamento psiquiátrico contínuo é essencial para monitorar os efeitos colaterais e ajustar a dosagem se necessário.

Uma Nova Era no Tratamento do TDAH

O TDAH é uma condição neuropsiquiátrica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, com impactos significativos em suas vidas. A chegada da Atomoxetina, o primeiro medicamento não-estimulante para o tratamento do TDAH no Brasil, é um marco importante que oferece novas perspectivas de tratamento. No entanto, é fundamental lembrar que o tratamento do TDAH é individualizado e requer uma abordagem multidisciplinar.

O diagnóstico precoce, a pesquisa contínua e o acompanhamento são elementos essenciais para garantir o sucesso do tratamento. À medida que continuamos a avançar na compreensão do TDAH e no desenvolvimento de novas opções terapêuticas, podemos olhar para o futuro com a esperança de proporcionar uma vida com mais foco, atenção e controle para aqueles que vivenciam o desafio do TDAH. A Atomoxetina é um passo promissor nesse caminho.

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Dra. Aline Rangel, médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga.

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Sua prática integra psiquiatria, psicoterapia e sexualidade humana, com cuidado baseado em ciência e presença.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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