Entenda a relação entre maus-tratos na infância e problemas psiquiátricos

Os maus-tratos na infância podem ser considerados casos importantes de saúde pública, que afetam tanto as crianças quanto a sociedade...

Os maus-tratos na infância podem ser considerados casos importantes de saúde pública, que afetam tanto as crianças quanto a sociedade como um todo. Trabalhos científicos têm mostrado que os reflexos dos maus-tratos não são apenas físicos, mas também psicológicos, que podem levar a problemas psiquiátricos.

Neste post, descobriremos um pouco mais sobre o assunto. Confira!

O que devemos entender sobre maus-tratos

Para muitas pessoas, maus-tratos são sinônimos de abuso físico ou sexual, mas eles podem ser divididos em três tipos, que colocam em risco a integridade emocional, cognitiva ou física da criança:

  1. físico: o tipo mais comum e é definido como um comportamento voluntário, que provoca dano físico ao menor ou o desenvolvimento de doenças de caráter físico. As crianças que são submetidas a um quadro assim vivem em estado de alerta constante, desconfiam do contato com o adulto, voltam a fazer xixi na cama, têm medo dos pais, não querem voltar para casa e manifestam problemas para dormir e se alimentar;
  2. emocional: definido como um conjunto de condutas que levam a uma interação com o menor baseada na hostilidade verbal, por meio de insultos, ameaças e desprezo. Os sinais mais comuns no comportamento da criança são os atrasos no desenvolvimento psicomotor, a baixa autoestima, o excesso de timidez e uma postura defensiva, às vezes, até arredia;
  3. negligência infantil: é caracterizado por um abandono total ou parcial da atenção e/ou cuidados em relação à criança. A negligência pode ser física, mas também social e emocional. Um negligente atua de forma consciente ou inconsciente, por falta de cultura, ignorância ou falta de valores positivos. A criança responde à negligência com sinais físicos e emocionais — roupas sujas e inadequadas ao clima, lesões físicas de repetição, isolamento, depressão, alimentação inadequada (qualidade e quantidade), problemas de crescimento, irregularidade na escola, tentativas de fugir de casa etc.

Infelizmente, nem sempre é fácil identificar e diagnosticar os tipos de maus-tratos, mas sabe-se que a sua ocorrência na infância pode levar a sérios problemas psiquiátricos.

A relação entre maus-tratos e doenças psiquiátricas

Depois de muitas pesquisas e estudos de pacientes, sabe-se que pessoas que foram expostas a traumas e maus-tratos na infância apresentam maior risco de desenvolverem depressão, transtorno bipolar, abuso de álcool e drogas, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos de personalidade, alimentares, tentativas de suicídio, entre muitas outras desordens psiquiátricas.

Do mesmo modo, crianças com história de abuso são mais vulneráveis ao desenvolvimento de diabetes, asma, doenças cardiovasculares (incluindo hipertensão arterial), cefaleias, obesidade etc.

Além disso, está provado que maus-tratos na infância não provocam apenas traumas psicológicos irreversíveis, mas também danos permanentes no desenvolvimento e funções cerebrais. Os hemisférios esquerdos de pessoas vitimadas pela violência se desenvolvem significativamente menos do que deveriam, e essas crianças apresentam alterações persistentes em áreas cerebrais relacionadas ao humor e às emoções.

Independente do tipo, um quadro de maus-tratos infantil merece ser acompanhado por um especialista no tema, para que seja possível minimizar os traumas vividos pela vítima e para que ela aprenda a lidar com problemas psiquiátricos de uma forma mais positiva.


Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como
psiquiatra em São Paulo!

Dra. Aline Rangel, médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga

Sobre a autora

Dra. Aline Rangel

CRM-SP 132.102 | RQE 39.196

Médica psiquiatra, psicoterapeuta e sexóloga.

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou Residência Médica em Psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).

Especialista em Sexualidade Humana pelo Programa de Estudos em Sexualidade (PRO-SEX), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HC-FMUSP). Especialista em Farmacodependências e Dependências Comportamentais pelo PROJAD/UNIFESP. Especialista em Sono pelo Instituto do Sono/UNIFESP.

Mestre em Psicobiologia pela UNIFESP. Doutora em Psicologia, com ênfase em Sexualidade e Estudos de Gênero, pela UCES.

Sua prática integra psiquiatria, psicoterapia e sexualidade humana, com cuidado baseado em ciência e presença.

Atendimento presencial em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.

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